Imagem editorial abstrata representando a diferença entre adenomiose e endometriose, com duas formas visuais distintas sugerindo localização dentro da parede uterina e fora do útero.

Adenomiose e endometriose: qual é a diferença entre essas duas condições?

Adenomiose e endometriose são condições ginecológicas diferentes, mas frequentemente confundidas. Ambas podem causar cólica menstrual intensa, dor pélvica, sangramento menstrual aumentado, impacto na qualidade de vida e dificuldade para engravidar em algumas pacientes. Além disso, podem coexistir na mesma mulher, o que torna o diagnóstico e o tratamento mais complexos.

A diferença central está na localização da doença. Na endometriose, tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero, podendo atingir ovários, peritônio, ligamentos pélvicos, intestino, bexiga e outras estruturas. Na adenomiose, tecido endometrial ou semelhante ao endométrio está presente dentro da parede muscular do útero, chamada miométrio.

Essa distinção importa porque a dor, o sangramento, a fertilidade, os exames e as opções de tratamento podem ser diferentes. O erro comum é tratar tudo como “endometriose” ou, no sentido oposto, tratar tudo como “cólica normal”. As duas interpretações são ruins. A paciente precisa saber qual condição está presente, onde ela está localizada e qual impacto está causando.

O que é endometriose?

Endometriose é uma doença crônica em que tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero. Pode ocorrer na pelve, envolvendo ovários, peritônio, ligamentos uterossacros, septo retovaginal, intestino, bexiga e, em algumas situações, regiões fora da pelve. A Organização Mundial da Saúde descreve a endometriose como uma doença crônica associada a dor menstrual intensa, dor pélvica crônica, sangramento menstrual intenso, infertilidade, distensão abdominal e náuseas.

Os sintomas variam muito. Algumas mulheres têm cólica incapacitante e exames pouco expressivos. Outras têm endometrioma, endometriose profunda ou aderências, mas sintomas menos intensos. Por isso, a doença não deve ser avaliada apenas pela intensidade da dor ou pelo tamanho de uma lesão.

A diretriz da European Society of Human Reproduction and Embryology (ESHRE) reforça que o diagnóstico e o manejo da endometriose devem considerar sintomas, exame físico, exames de imagem, infertilidade, recorrência, idade, preferências da paciente e objetivos terapêuticos.

O que é adenomiose?

Adenomiose é uma condição em que tecido endometrial ou semelhante ao endométrio está presente dentro do miométrio, que é a camada muscular do útero. Isso pode deixar o útero aumentado, mais sensível e associado a cólicas intensas ou sangramento menstrual aumentado.

A adenomiose pode ser difusa, quando acomete de forma mais ampla a parede uterina, ou focal, quando aparece em uma região mais delimitada. Algumas pacientes têm poucos sintomas. Outras apresentam fluxo menstrual intenso, cólica progressiva, sensação de peso pélvico, dor pélvica crônica ou dificuldade reprodutiva.

O National Health Service (NHS), sistema público de saúde do Reino Unido, descreve a adenomiose como a condição em que o tecido que reveste o útero cresce dentro da parede muscular uterina. Essa definição ajuda a diferenciar a adenomiose da endometriose, embora as duas possam coexistir.

Qual é a principal diferença entre adenomiose e endometriose?

A principal diferença é a localização.

Na endometriose, o tecido semelhante ao endométrio está fora do útero, podendo envolver pelve, ovários, intestino, bexiga e ligamentos. Na adenomiose, o tecido está dentro da parede muscular do útero.

Essa diferença anatômica explica por que os sintomas podem se sobrepor, mas não são idênticos. A endometriose costuma levantar suspeita quando há dor pélvica cíclica, dor profunda na relação, dor para evacuar durante a menstruação, sintomas intestinais ou urinários cíclicos e endometriomas. A adenomiose tende a ser mais lembrada quando há útero aumentado, sangramento menstrual intenso, cólica importante e sensação de peso pélvico.

Mas a separação não é perfeita. Uma paciente pode ter as duas condições ao mesmo tempo. Por isso, a pergunta correta não é apenas “qual das duas eu tenho?”, mas “qual delas está contribuindo para cada sintoma?”.

Sintomas: onde elas se parecem?

Adenomiose e endometriose podem se parecer porque ambas podem causar dor menstrual intensa, dor pélvica crônica, impacto sexual, piora da qualidade de vida e dificuldade para engravidar em algumas pacientes.

A sobreposição de sintomas é uma das razões pelas quais adenomiose e endometriose são frequentemente confundidas. Cólica intensa, dor pélvica e impacto na qualidade de vida podem ocorrer nas duas condições. Por isso, a diferenciação não deve ser feita apenas pelo sintoma isolado, mas pela combinação entre história clínica, padrão do sangramento, exame físico, imagem e objetivo reprodutivo.

Também podem coexistir com outros diagnósticos, como miomas, pólipos, alterações ovulatórias, síndrome do intestino irritável, disfunção do assoalho pélvico e dor pélvica crônica multifatorial. Esse é um ponto importante: dor pélvica raramente deve ser explicada por uma única hipótese sem investigação adequada.

O erro clínico é olhar apenas para um sintoma isolado. Cólica forte, por exemplo, pode ocorrer nas duas condições. Sangramento menstrual intenso também pode ocorrer nas duas, embora seja particularmente característico da adenomiose. Dor profunda na relação e sintomas intestinais cíclicos tendem a sugerir mais fortemente endometriose, especialmente endometriose profunda, mas não dispensam avaliação completa.

Sintomas que sugerem mais adenomiose

Alguns sintomas tornam a adenomiose uma hipótese importante. Entre eles estão sangramento menstrual intenso ou prolongado, cólicas menstruais progressivas, sensação de peso ou pressão pélvica, útero aumentado em exame clínico ou imagem, dor pélvica crônica e piora dos sintomas com o passar dos anos.

Embora exista sobreposição, a presença de sangramento menstrual intenso, útero aumentado, sensação de peso pélvico e cólica progressiva torna a adenomiose uma hipótese particularmente relevante no diagnóstico diferencial.

A adenomiose também pode estar associada a anemia por sangramento menstrual intenso. Nesses casos, a paciente pode apresentar cansaço, tontura, palpitações, falta de ar aos esforços e queda de rendimento. O sangramento intenso não deve ser tratado como “normal” apenas porque ocorre há muitos anos.

O ponto central é: quando a queixa dominante é fluxo menstrual aumentado, útero aumentado e cólica progressiva, a adenomiose precisa entrar no diagnóstico diferencial.

Sintomas que sugerem mais endometriose

A endometriose deve ser considerada quando há cólica menstrual incapacitante, dor pélvica fora da menstruação, dor profunda durante ou após a relação sexual, dor para evacuar no período menstrual, sintomas intestinais cíclicos, sintomas urinários cíclicos, endometrioma ovariano ou dificuldade para engravidar associada a esses sintomas.

O National Institute for Health and Care Excellence (NICE), órgão britânico responsável por diretrizes clínicas baseadas em evidências para o sistema de saúde do Reino Unido, recomenda suspeitar de endometriose quando há dor pélvica crônica, dor menstrual que afeta atividades diárias e qualidade de vida, dor profunda durante ou após a relação sexual, sintomas gastrointestinais ou urinários cíclicos, ou infertilidade associada a esses sintomas.

Isso não significa que esses sintomas confirmem endometriose. Significa que eles justificam investigação adequada.

Adenomiose e endometriose podem coexistir?

Sim. Esse é um dos pontos mais importantes do artigo. A paciente não precisa ter apenas uma das duas condições. Adenomiose e endometriose podem coexistir, e essa coexistência pode aumentar a complexidade da dor, do sangramento, da fertilidade e das decisões terapêuticas.

Quando as duas condições estão presentes, tratar apenas uma parte do problema pode levar a resposta incompleta. Por exemplo, uma cirurgia para endometriose pode melhorar dor associada a lesões pélvicas, mas não necessariamente resolver sangramento intenso se a adenomiose for relevante. Da mesma forma, controlar sangramento uterino pode não resolver dor intestinal cíclica ou dor profunda na relação se houver endometriose profunda associada.

Portanto, a pergunta correta não é apenas “é adenomiose ou endometriose?”. A pergunta mais útil é: “há sinais de que as duas condições estejam presentes e contribuindo de formas diferentes para meus sintomas?”

Como os exames ajudam a diferenciar?

A ultrassonografia transvaginal especializada e a ressonância magnética da pelve podem ajudar a diferenciar adenomiose, endometriose, endometrioma, miomas e outras alterações pélvicas. A qualidade da resposta depende do protocolo, da experiência do examinador e da pergunta clínica feita.

Na adenomiose, os exames podem sugerir espessamento ou alteração da zona juncional, assimetria das paredes uterinas, miométrio heterogêneo, pequenos cistos miometriais, estriações ou aumento uterino. Na endometriose, os exames podem identificar endometriomas, aderências, lesões profundas, acometimento de ligamentos, intestino, bexiga ou ureteres.

O exame de imagem não deve apenas procurar “endometriose” ou “adenomiose” de forma genérica. Ele deve avaliar útero, miométrio, zona juncional, ovários, mobilidade pélvica, compartimento posterior, presença de endometrioma e sinais de endometriose profunda. Essa leitura integrada reduz o risco de tratar uma condição e ignorar outra coexistente.

Mas há uma regra importante: exame normal não exclui todas as formas de endometriose, especialmente lesões superficiais. Também há graus de adenomiose que podem ser sutis. Por isso, exame de imagem deve ser interpretado junto com sintomas, exame físico, idade, desejo reprodutivo e histórico clínico.

O tratamento é igual?

Não necessariamente. Existem sobreposições, mas o tratamento depende da condição predominante, dos sintomas, da idade, do desejo de engravidar, da intensidade do sangramento, da dor, da presença de endometrioma, da suspeita de doença profunda e da resposta a tratamentos anteriores.

Tratamentos hormonais podem ajudar em ambas as condições, principalmente quando o objetivo é reduzir dor e sangramento em pacientes que não estão tentando engravidar naquele momento. Anti-inflamatórios, manejo da dor, fisioterapia pélvica, suporte psicológico, correção de anemia e acompanhamento especializado também podem fazer parte do cuidado.

Mas as decisões mudam quando há desejo reprodutivo. Tratamentos que bloqueiam ovulação podem controlar sintomas, mas não ajudam a engravidar durante o uso. Em algumas pacientes, pode ser necessário discutir cirurgia, reprodução assistida, preservação de fertilidade ou manejo individualizado.

O ponto não é escolher um tratamento padrão para todas. O ponto é alinhar o tratamento ao diagnóstico real e ao objetivo da paciente.

E quando a paciente quer engravidar?

Quando há desejo de gravidez, a distinção entre adenomiose e endometriose ganha peso. Endometriose pode interferir na fertilidade por inflamação, aderências, alteração anatômica, endometriomas, comprometimento tubário ou impacto ovariano. Adenomiose pode estar associada a alterações uterinas que podem interferir em implantação, sangramento, dor e desfechos reprodutivos, embora a relação varie conforme extensão, idade e outros fatores.

A investigação deve incluir tempo de tentativa, idade, reserva ovariana, avaliação do parceiro, análise seminal, ovulação, cavidade uterina, trompas, sintomas, endometriomas e sinais de adenomiose. Em mulheres com mais de 35 anos, endometrioma, cirurgia ovariana prévia ou sintomas importantes, esperar tempo demais pode reduzir oportunidades reprodutivas.

A pergunta correta não é apenas “qual dessas doenças eu tenho?”. A pergunta é: “qual delas está interferindo mais no meu objetivo agora: controlar dor, reduzir sangramento ou engravidar?”

O que evitar

Evite usar adenomiose e endometriose como se fossem nomes diferentes para a mesma doença.

Evite concluir que toda cólica forte é apenas adenomiose ou apenas endometriose.

Evite ignorar sangramento menstrual intenso, especialmente quando há cansaço, tontura ou anemia.

Evite tratar dor profunda na relação, dor para evacuar ou sintomas intestinais cíclicos como se fossem apenas “cólica comum”.

Evite iniciar tratamento hormonal sem clareza sobre desejo reprodutivo.

Evite interpretar o laudo isoladamente, sem conectar sintomas, fertilidade, idade e objetivos da paciente.

Evite pensar que ter as duas condições significa ausência de tratamento. O desafio aumenta, mas o cuidado pode ser planejado.

Quando procurar avaliação médica?

Procure avaliação se houver cólica menstrual intensa, sangramento menstrual aumentado, dor pélvica crônica, dor profunda na relação, dor para evacuar durante a menstruação, sintomas intestinais ou urinários cíclicos, dificuldade para engravidar, anemia, fadiga importante ou laudo sugerindo adenomiose, endometriose ou ambas.

Também procure avaliação se os sintomas pioram progressivamente, se há impacto no trabalho, estudos, vida sexual, sono, fertilidade ou qualidade de vida. Sintomas que reduzem funcionamento não devem ser normalizados apenas porque são antigos.

A avaliação adequada deve responder três perguntas: onde está o problema, qual sintoma ele explica e qual objetivo terapêutico importa agora?

Mensagem central

Adenomiose e endometriose são condições diferentes, mas podem causar sintomas semelhantes e coexistir na mesma paciente.

Na endometriose, tecido semelhante ao endométrio cresce fora do útero. Na adenomiose, tecido endometrial ou semelhante ao endométrio está dentro da parede muscular uterina.

A pergunta principal não deve ser apenas: “é adenomiose ou endometriose?”

A pergunta clinicamente mais útil é: “qual condição está presente, onde ela está localizada e como ela interfere na minha dor, meu sangramento, minha fertilidade e minha qualidade de vida?”

Quando essa resposta é construída com precisão, o tratamento deixa de ser genérico e passa a ser individualizado.

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